Em frente ao relógio central da rua XV entre os sons dos estalos dos calcanhares que voltavam às suas casas, qualquer ruído era silêncio perto do turbilhão que é pensar em algo para ser dito. Suportava um hálito de cigarro e um papo sobre qualquer coisa que tanto podia ser Foucault quanto Tati Quebra-Barraco. Em Curitiba, tudo tanto pode ter um ar pedante quanto sincero. Era como o bar que os acolhia com suas mesas planejadamente desorganizadas sobre a rua, feito um boteco, mas o preço era para turista. E a cada chopp o som ao redor se acalmava. As mãos já não estavam mais presas ao bolso e as pernas mais abertas. Quase podia soltar uma risada menos tensa e ideias mais soltas. Quase podia se juntar aos ruídos da rua XV. Quase podia se afastar do relógio sem precisar passar pela boca maldita.
- Amigos, a saideira.
A verdade é que em Curitiba o bar fecha no quase.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
Poeira.
Quando bateu na porta sentiu vontade de voltar, descer o elevador e andar umas dez quadras. Para longe. Exalava cigarro e álcool, mas ninguém ia sentir no apartamento vazio. Do outro lado da cidade: cartões de crédito trabalhavam como navalhas para o dia nascer feliz. Uma ligação. O telefone do outro lado da cidade tocou. Não sentiu culpa, dormiu. E já era de manhã quando um nariz gelado encostou na sua nuca.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Ora yê yê
Tá começando a chover. Não abro o guarda-chuva, vou sentir cada pingo gelado em minha cabeça. Também chove aqui dentro transbordando o meu coração de poça d'água. As nuvens correm com rapidez, mas em Curitiba um chuva nunca é só uma chuva de verão.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Um amor pela metade.
Menina, sua cabeça é um turbilhão de ideias e objetivos que eu não consigo acompanhar. Você gira na velocidade da luz e eu na velocidade do vento. A vida sopra meu caminho e me leva pra lugares lindos, eu me deixo ir. Te chamo: vem comigo. Você vem. De mãos dadas comigo e uma corda amarrada na barriga. E eu vou. A corda esticou demais. Eu volto. Vamos para o outro lado. A corda estica. Me puxa. Não largo a sua mão. Giramos sem parar em volta desta maldita coleira que te prende. Não quero soltar sua mão. Não sei quanto posso aguentar. Somos o impossível. Fica do meu lado mais um pouco. Já é tarde, precisamos ir, amanhã seremos apenas conhecidos. Não me localizo nessa roda gigante que é o seu mundo, então vou embora. E ficamos assim, pela metade, que é pra não perder o gosto nem a graça. Menina, te amo tanto que eu quero ver você feliz. Sinto muito por nós. Mas nós nunca existiu.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Puta que pariu.
Estava aqui distraída, pensando nas histórias que não vivemos, nas lembranças de um futuro, pois então, a pouco ouvi o barulho da porta fechando, e agora estou me afastando do local que deveria descer, perdi o ponto do ônibus e você está me levando para longe, no lugar onde você deveria estar, que eu queria te mandar, ai pelo menos eu ia te encontrar.
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