Em frente ao relógio central da rua XV entre os sons dos estalos dos calcanhares que voltavam às suas casas, qualquer ruído era silêncio perto do turbilhão que é pensar em algo para ser dito. Suportava um hálito de cigarro e um papo sobre qualquer coisa que tanto podia ser Foucault quanto Tati Quebra-Barraco. Em Curitiba, tudo tanto pode ter um ar pedante quanto sincero. Era como o bar que os acolhia com suas mesas planejadamente desorganizadas sobre a rua, feito um boteco, mas o preço era para turista. E a cada chopp o som ao redor se acalmava. As mãos já não estavam mais presas ao bolso e as pernas mais abertas. Quase podia soltar uma risada menos tensa e ideias mais soltas. Quase podia se juntar aos ruídos da rua XV. Quase podia se afastar do relógio sem precisar passar pela boca maldita.
- Amigos, a saideira.
A verdade é que em Curitiba o bar fecha no quase.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
Poeira.
Quando bateu na porta sentiu vontade de voltar, descer o elevador e andar umas dez quadras. Para longe. Exalava cigarro e álcool, mas ninguém ia sentir no apartamento vazio. Do outro lado da cidade: cartões de crédito trabalhavam como navalhas para o dia nascer feliz. Uma ligação. O telefone do outro lado da cidade tocou. Não sentiu culpa, dormiu. E já era de manhã quando um nariz gelado encostou na sua nuca.
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