domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ora yê yê

Tá começando a chover. Não abro o guarda-chuva, vou sentir cada pingo gelado em minha cabeça. Também chove aqui dentro transbordando o meu coração de poça d'água. As nuvens correm com rapidez, mas em Curitiba um chuva nunca é só uma chuva de verão.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um amor pela metade.

Menina, sua cabeça é um turbilhão de ideias e objetivos que eu não consigo acompanhar. Você gira na velocidade da luz e eu na velocidade do vento. A vida sopra meu caminho e me leva pra lugares lindos, eu me deixo ir. Te chamo: vem comigo. Você vem. De mãos dadas comigo e uma corda amarrada na barriga. E eu vou. A corda esticou demais. Eu volto. Vamos para o outro lado. A corda estica. Me puxa. Não largo a sua mão. Giramos sem parar em volta desta maldita coleira que te prende. Não quero soltar sua mão. Não sei quanto posso aguentar. Somos o impossível. Fica do meu lado mais um pouco. Já é tarde, precisamos ir, amanhã seremos apenas conhecidos. Não me localizo nessa roda gigante que é o seu mundo, então vou embora. E ficamos assim, pela metade, que é pra não perder o gosto nem a graça. Menina, te amo tanto que eu quero ver você feliz. Sinto muito por nós. Mas nós nunca existiu.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Puta que pariu.

Estava aqui distraída, pensando nas histórias que não vivemos, nas lembranças de um futuro, pois então, a pouco ouvi o barulho da porta fechando, e agora estou me afastando do local que deveria descer, perdi o ponto do ônibus e você está me levando para longe, no lugar onde você deveria estar, que eu queria te mandar, ai pelo menos eu ia te encontrar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O cravo e a rosa.

-Por que você só briga comigo?
-Deve ser amor.
-Ah, então você confessa que gosta de mim.
-A gente é tipo o cravo e a rosa.
-Que lindo.
-Mas você sabe como termina a história né?
-Como?
-O cravo ferido, e a rosa, você sabe...
-Mas eu nunca gostei mesmo que você me chamasse de flor.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As pessoas no ponto de ônibus

Não tem jeito. Todo mundo olha. O lado que vem o ônibus obedece algum tipo de lei. Em que vale cada mirada. Me sinto igual quando me vejo esperando que algo aconteça. Fico nervosa, me frustro, mergulho na ansiedade e na vontade de que chegue logo. Sabe de uma coisa: se olhar ou não dá na mesma. O ônibus sempre vem. Ele para. As pessoas sobem. E seguem para os seus destinos.
Exceção: pessoas que permanecem esperando. Esperam o próximo. Querem ir sentadas. Não se importam em esperar mais para ir melhor. Minha admiração.
Eu pego o primeiro, lotado, me encaixo na multidão de qualquer jeito e faço a viagem necessária. Quando estou no ponto de ônibus, olho apreensiva, me animo quando chega e algumas vezes nem confiro o nome. Quando espero por você, me animo ao primeiro sim e mergulho novamente na esperança de que dessa vez vai dar tudo certo. Mas é como entrar no ônibus com o nome errado. Ou o que está quebrado e para no meio do caminho. E a cada vez que acontece sinto estar parada no mesmo lugar de sempre. Volto para o mesmo ponto e esperar, olhar, esperar.
Ontem, fiz diferente: não olhei. Foi difícil. Me controlei. Vi as pessoas olhando para o lado oposto ao meu. Resisti. Ele chegou.
Agora farei o mesmo com você.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A puta que parecia Marisa Monte.

Eu estava maquiada e me sentindo bonita. De uma beleza emprestada. Com uma forma emprestada. E agia de acordo com a forma. Haviam muitos bancos, eu podia escolher um. Avistei um banco e nele uma mulher: óculos escuros, cabelo em coque, alguns cachos soltos, batom vermelho. Meu coração sorriu. Marisa Monte ao meu lado no ônibus. O perfume fazia arder os pulmões, mas não importava, bastava que ela fosse Marisa. Desceu pelas ruas do centão e deixou saudade. Foi encantar Arnaldos e Carlinhos nesse dia de sol e de paraísos particulares.