segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vigília

O silêncio que suporta
o medo
que ao som das furadeiras
e matelos a bater
às onze horas da noite
quer então despertar

Zigótico

Na dimensão desconhecida do meu sonho
jaz um homem nu
deitado
com um de seus
testículos
arrancado
em um suporte de ouro

um ovo humano
de ínfimo valor
sacrificado
sem nenhum sangue
pintado de negro
limpo e intacto
salvando-me de meus pecados

Excursão do Galinheiro

Agarrava o pintinho pelas pernas
e rasgava pelo meio
de um
fazia dois

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Aos que fuçam o meu lixo

Óculos na cabeça
uma lata na mão
Enlatados
pré-datados
e a segunda via do cartão
que insisto em imprimir

Não jogo nada fora

O lixo fica todo aqui
comigo
entope as veias
sobe a pressão
E não me deixa dormir

segunda-feira, 7 de abril de 2014

As loucas da tarja preta

Eu amo as loucas da tarja preta
Estriquinadas e mal amadas
acelerando para desacelerar

Todas iguais
as loucas da tarja preta
não querem voltar pra casa
encontrar seus problemas
todos de mãos dadas

Como serão solitárias suas casas
suas mentes drogadas
criando maneiras de ser normais

Não me reparam
as loucas da tarja preta
o meu pensamento lento e aéreo
se dissolve à química moderna

Me limito a imaginar
tamanha excitação
das loucas da tarja preta
ao ouvir o médico dizer
que a dose vai ter que aumentar