Aqui não se pode rir,
Chorar, só se for baixinho
Brigar jamais
Pé por pé
Encontra a cama
Liga a teve no mudo
Mas é impossível
baixar o volume
dos seus pensamentos
domingo, 4 de maio de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Vigília
O silêncio que suporta
o medo
que ao som das furadeiras
e matelos a bater
às onze horas da noite
quer então despertar
o medo
que ao som das furadeiras
e matelos a bater
às onze horas da noite
quer então despertar
Zigótico
Na dimensão desconhecida do meu sonho
jaz um homem nu
deitado
com um de seus
testículos
arrancado
em um suporte de ouro
um ovo humano
de ínfimo valor
sacrificado
sem nenhum sangue
pintado de negro
limpo e intacto
salvando-me de meus pecados
jaz um homem nu
deitado
com um de seus
testículos
arrancado
em um suporte de ouro
um ovo humano
de ínfimo valor
sacrificado
sem nenhum sangue
pintado de negro
limpo e intacto
salvando-me de meus pecados
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Aos que fuçam o meu lixo
Óculos na cabeça
uma lata na mão
Enlatados
pré-datados
e a segunda via do cartão
que insisto em imprimir
Não jogo nada fora
O lixo fica todo aqui
comigo
entope as veias
sobe a pressão
E não me deixa dormir
uma lata na mão
Enlatados
pré-datados
e a segunda via do cartão
que insisto em imprimir
Não jogo nada fora
O lixo fica todo aqui
comigo
entope as veias
sobe a pressão
E não me deixa dormir
segunda-feira, 7 de abril de 2014
As loucas da tarja preta
Eu amo as loucas da tarja preta
Estriquinadas e mal amadas
acelerando para desacelerar
Todas iguais
as loucas da tarja preta
não querem voltar pra casa
encontrar seus problemas
todos de mãos dadas
Como serão solitárias suas casas
suas mentes drogadas
criando maneiras de ser normais
Não me reparam
as loucas da tarja preta
o meu pensamento lento e aéreo
se dissolve à química moderna
Me limito a imaginar
tamanha excitação
das loucas da tarja preta
ao ouvir o médico dizer
que a dose vai ter que aumentar
Estriquinadas e mal amadas
acelerando para desacelerar
Todas iguais
as loucas da tarja preta
não querem voltar pra casa
encontrar seus problemas
todos de mãos dadas
Como serão solitárias suas casas
suas mentes drogadas
criando maneiras de ser normais
Não me reparam
as loucas da tarja preta
o meu pensamento lento e aéreo
se dissolve à química moderna
Me limito a imaginar
tamanha excitação
das loucas da tarja preta
ao ouvir o médico dizer
que a dose vai ter que aumentar
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O acaso é a escolha mais livre
São Paulo, filosofia, a nova vida de professor universitário, o filme do Lars von Trier: tudo o que se fala nesta mesa. Mas se virar a esquina para a esquerda, um baseado passa de mão em mão e a fumaça sobe em volta do grafite de um menino negro e pobre. Ou se preferir, sentido litoral, tem o morro do sabão. Diante do morro, cólicas mestruais. As pernas escorrem sangue. Ao longe, o mar. Um deserto de caminhada sem fim. E pra variar, no hemisfério norte, três mexicanos abandonam um brasileiro em meio a outro deserto.
- Dizem que a morte no deserto é a melhor que tem, você fica molinho, molinho e apaga, desidrata, nem sente.
O celular epilético se contorce dentro do bolso. Ela te liga todo o dia? Mais de uma vez por dia? Não vai atender? Agora não, daqui a pouco. Tenho que ir. Tão cedo? Ela tá te cercando, fique esperto. Eu vou levando...
Na mesma rua, um portão de garagem se abre para uma família de ácaros. Em meio às antiguidades, levo o meu dedão à boca e chupo, feito criança. Ele retorna molinho, molinho, feito morte no deserto.
- Dizem que a morte no deserto é a melhor que tem, você fica molinho, molinho e apaga, desidrata, nem sente.
O celular epilético se contorce dentro do bolso. Ela te liga todo o dia? Mais de uma vez por dia? Não vai atender? Agora não, daqui a pouco. Tenho que ir. Tão cedo? Ela tá te cercando, fique esperto. Eu vou levando...
Na mesma rua, um portão de garagem se abre para uma família de ácaros. Em meio às antiguidades, levo o meu dedão à boca e chupo, feito criança. Ele retorna molinho, molinho, feito morte no deserto.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Fragmentossauros
Um dinossauro corre pela sala em busca de comida. Nasceu há pouco e tem fome. Seus pézinhos se arrastam pelo tapete e as mãos agarram tudo o que vê. Já passa da hora do almoço, mas agora ele está deitado no tapete com pernas e braços para cima feito um bicho-preguiça. Uma cobra avança por suas mãos. Quando voltar a cantar, não vai mais fumar. A porta bate com força e os gritos são em alemão, não dá para ouvir a novela.
- Vamos brincar de barquinho nas profundezas do sofá.
- Vamos brincar de barquinho nas profundezas do sofá.
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