O salto e a calçada de paralelepípedos nunca se deram muito bem. Contara 234 passos até chegar e achava o número um tanto místico. Procurou a mesa de sempre, no lugar de sempre, a vista de sempre. Outros saltos se misturaram ao seu, mas o lugar nunca lota. O velho companheiro tocava um clássico da vida noturna que fez com que seus lábios articulassem algumas palavras já cansadas de serem pronunciadas. Havia também uma cerveja, que era succionada à conta-gotas. Nenhuma pessoa sozinha ia, nenhuma pessoa vinha. No banheiro: retocou o batom, rímel, blush. E com as mãos acariciou o copo. Estava atenta aos olhares. Foi então que um par de pés se aproximou. Dois sapatos pretos e mal lustrados aumentavam a cada passo. Descruzou as pernas e cruzou novamente. Virou o copo na boca com gosto e ao retorná-lo à mesa, se viu sozinha novamente.
- FILHA DA PUTA!
Foi o que ela quis dizer, mas se corrigiu a tempo.
sábado, 2 de novembro de 2013
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