quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O cravo e a rosa.

-Por que você só briga comigo?
-Deve ser amor.
-Ah, então você confessa que gosta de mim.
-A gente é tipo o cravo e a rosa.
-Que lindo.
-Mas você sabe como termina a história né?
-Como?
-O cravo ferido, e a rosa, você sabe...
-Mas eu nunca gostei mesmo que você me chamasse de flor.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As pessoas no ponto de ônibus

Não tem jeito. Todo mundo olha. O lado que vem o ônibus obedece algum tipo de lei. Em que vale cada mirada. Me sinto igual quando me vejo esperando que algo aconteça. Fico nervosa, me frustro, mergulho na ansiedade e na vontade de que chegue logo. Sabe de uma coisa: se olhar ou não dá na mesma. O ônibus sempre vem. Ele para. As pessoas sobem. E seguem para os seus destinos.
Exceção: pessoas que permanecem esperando. Esperam o próximo. Querem ir sentadas. Não se importam em esperar mais para ir melhor. Minha admiração.
Eu pego o primeiro, lotado, me encaixo na multidão de qualquer jeito e faço a viagem necessária. Quando estou no ponto de ônibus, olho apreensiva, me animo quando chega e algumas vezes nem confiro o nome. Quando espero por você, me animo ao primeiro sim e mergulho novamente na esperança de que dessa vez vai dar tudo certo. Mas é como entrar no ônibus com o nome errado. Ou o que está quebrado e para no meio do caminho. E a cada vez que acontece sinto estar parada no mesmo lugar de sempre. Volto para o mesmo ponto e esperar, olhar, esperar.
Ontem, fiz diferente: não olhei. Foi difícil. Me controlei. Vi as pessoas olhando para o lado oposto ao meu. Resisti. Ele chegou.
Agora farei o mesmo com você.